quarta-feira, 21 de julho de 2010

AGORA E SEPRE



Sou na alma
a alma na alma
o espírito no espírito
do corpo que vivo.


Não sou o corpo que habito
mas sou o corpo que decompõe
sou força que vai e some
sempre existindo...

Vou longe nesta caravela
desfaleço cada dia
indo assim neste espaço
que me renova

A matéria que ora prezo
me despreza
desapega de mim
deixando rastro de existência

Meu exílio é aqui mesmo
sempre neste agora constante
que me prende, fingindo me soltar.


Diamantina, maio de 2006

EXPRESSÃO TERNA




Fitar teus olhos nus
na expressão terna
da clareza bela
horizonte azul....

Negros ventos
dos cabelos soltos
boca rubra amaciada
sou cativo dos seus braços
prisioneiro dos teus abraços.

Como águia fria é o sentimento
de não ter dia
brisa que leva e traz o cheiro
deste amor que agora inalo

Vir, sonhar, voar...
outro sinônimo qualquer
são insuficientes para dizer
quanto amo esta mulher.


02/06/1998

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A PEDRA E RIO


Rio de pedra
pedra de rio
vida e morte
contraste...

Viva água corrente
morta pedra inerte

Cama de pedras no leito
onde passa vida a escorrer
sem ti ó rio, seríamos apenas
pedras, sem limo

Sem vós ó pedras,
seríamos apenas rio que passa
tu nos adornas o leito.

Deixa tem lodo
vai-te para outras pedras
a ti não tornarei
mas levarei a lembrança

30/07/1998

domingo, 4 de julho de 2010

Parar

Parar, não paro

esquecer

esquecer, não esqueço

se caráter custa caro

pago o preço.

Pago, embora seja raro

pois o homem

não tem avesso

e o peso da pedra

eu comparo
à força do arremesso.

Um rio

só se for claro,

correr sim, mas sem tropeço

e se tropeçar não paro

não paro e nem mereço.

E que ninguém me de amparo

nem me pergunte

se padeço,

se caráter custa caro

pago o preço.